Para inovar, inteligência não basta

5 Agosto, 2019 Por Jessica

Inovação é unir inteligência com esforço constante de estar na fronteira de sua área

Inovação é tema central em grande parte das estratégias de investimento em todos setores de atividade. Na teoria microeconômica, formaliza-se diversas razões que justificam uma empresa buscar recorrentemente por inovação: ganho de market share por diferenciação, criação e/ou de barreiras à entrada, captação de lucros extraordinários no curto e médio prazo.

Num contexto onde inovação se tornou parte integrante de qualquer estratégia de mercado, uma pergunta é recorrente: Como criar um ambiente institucional com cultura de inovação?

Inovação não é ciência; não tem método ou padrões dados como certos. Por essa razão, mente quem afirma ter “A” fórmula de sucesso para inovação. Porém, dentro do universo de possíveis respostas, sempre haverá aquelas melhor ou pior construídas. Hoje quero compartilhar brevemente a ideia trazida por Steven Johnson no clássico “How We Got To Now – Six Innovations That Made the Modern World”¹.

O autor faz uma narrativa deliciosa sobre 6 inovações que estão na base da vida moderna, mas que não damos atenção. Não falarei delas, deixando ao leitor o gostinho de curtir a narrativa de cada capítulo por si mesmo. Qualquer tentativa de listá-las aqui empobreceria o trabalho brilhante feito por Johnson.

O ponto central está na sua conclusão:

Inovação como fruto de genialidade é um mito.

Afinal, há gênios que inovam e gênios que não inovam. Se genialidade fosse causa determinante para inovação, bastaria enchermos as empresas de colaboradores com alto QI e boom!, inovação para todo lado. Mas sabemos que não funciona assim.

Segundo Johnson, tão importante quanto inteligência, são as habilidades de:

  • Ser multidisciplinar;
  • Estar na fronteira de sua área.

Ser multidisciplinar

Para não estragar o gostinho das surpresas trazidas pelo livro, usarei o exemplo mais conhecido: a lâmpada de Thomas Edison.

É predominante a narrativa do gênio que criou a lâmpada e que ao longo de sua vida patenteou outras 2.332 invenções. Contudo, pouco se fala da enorme equipe multidisciplinar com que Thomas Edison se cercou – a quem chamava de “muckers”².

Fonte: ThoughtCo².

Dentre os muckers havia engenheiros elétricos, engenheiros químicos, ex-maquinistas, fotógrafos – entre outras muitas formações que permitiram a Thomas Edison não só criar lâmpada, mas uma das companhias elétricas que viabilizaria entrega de eletricidade para as casas onde eram usadas, a General Eletric³.

Para além da lâmpada incandescente, suas outras invenções também nasceram dessa vivência multidisciplinar.

Outros grandes inventores como Galileu Galilei e Leonardo Da Vinci de nossa História tem grande parte de seus méritos associados a forte habilidade em combinar conhecimentos de diferentes áreas e, a partir disso, vislumbrar caminhos e soluções antes desconhecidos.

Estar na fronteira

Inteligência associada a esforço multidisciplinar não basta. Segundo Johnson, é necessário ainda estar na fronteira de sua área.

Fonte: Livro “How we got to now” – Steven Johnson

No exemplo de Thomas Edison, o autor lista 24 nomes de outros inventores que na mesma época já haviam criado seus próprios protótipos de lâmpada. Parte do sucesso de Thomas Edison esteve em encontrar o filamento com maior durabilidade; assim como em sua grande desenvoltura no marketing de seu negócio. Mas a invenção não seria “sua” (como hoje se atribui)⁴ se ele não estivesse na ponta, acompanhando e a corrida pela lâmpada.

Quando pensamos em Ciência, não é diferente. Todas as grandes descobertas científicas dependeram, antes de tudo, que seus inventores acompanhassem de perto o que havia de ponta nas descobertas e publicações de sua área.

Estar na fronteira é diferente de ser “o primeiro”. Significa saber tudo que há de ponta acontecendo e, com inteligência e capacidade multidisciplinar, reconhecer oportunidades.

No mundo dos negócios atual

Esses conceitos não servem apenas para Galileu, Da Vinci ou Thomas Edison. Para o mundo dos negócios da atualidade, os desafios da inovação ainda podem ser traduzidos nessas três habilidades: inteligência, multidisciplinaridade e estar na fronteira do conhecimento.

Em Ciência de Dados essas máximas são absolutas. Num outro momento pretendo escrever sobre isso!

O contexto como difusor, mas também limitador da inovação

Num próximo texto, falarei sobre outro conceito abordado por Johnson e que, em certa medida, acompanha a linha da microeconomia que fala sobre o poder das trajetórias para inovação: o contexto social e tecnológico como difusor e, ao mesmo tempo, limitador da inovação.

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Referências e mais:

¹ Recomendo fortemente a leitura – inclusive em audiobook pelo Audible nas idas e vindas de carro ou metrô por aí. Para quem já leu, deixo a dica do programa de podcasts American Innovations feito pelo próprio Steven Johnson, disponível na Apple e no Spotify.

² “Thomas Edison’s Muckers Would Work With Him the Rest of Their Lives”.

³ “Who was Thomas Edison”.

⁴ Curiosidade: No livro, Johnson conta que, na corrida para ser aclamado como pioneiro, Edison teria anunciado a invenção da lâmpada incandescente sem de fato ter chego ao melhor resultado possível. Certo de que conseguiria, chamou jornalistas para presenciar demonstração da sua lâmpada. Chamava um a uma na sala, onde ficavam por cerca de 2 ou 3 minutos. Perto de a lâmpada queimar, Edison