Seguros por Região e Unidade Federativa

29 Abril, 2019 Por Jessica

Veja como o consumo de seguros se distribui pelas Unidades Federativas e regiões brasileiras!

No post de hoje mostraremos o comportamento do consumo de seguros nas Unidades Federativas e Regiões do Brasil de 2003 à 2018. Esse breve estudo ajuda a visualizar padrões de comportamento entre Regiões e entre UFs de uma mesma Região.

Produção de Seguros por Região e Unidade Federativa

O Gráfico 1 abaixo traz os [prêmios diretos][1] nominais acumulados no ano para cada Unidade Federativa, organizando-as por blocos de Regiões.

Gráfico 1

Dentro de cada Região

A linha vermelha rachurada trata-se de uma regressão linear para produção de cada região. De forma simplificada, ela pode ser interpreta como a evolução esperada do prêmio direto para cada Região no tempo.

As linhas de Unidades Federativas acima desta regressão indicam que a respectiva UF teve um desempenho acima do esperado; enquanto que aquelas abaixo, tiveram um desempenho abaixo do esperado.

Nesse sentido, é possível observar que de 2003 a 2018 tiveram desempenho:

  • Acima do esperado em suas regiões:
    • Centro-Oeste: Distrito Federal e Goias;
    • Nordeste: Bahia, Ceará, Pernambuco;
    • Norte: Pará, Amazonas, Rondônia, Tocantins;
    • Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais;
    • Sul: Paraná e Rio Grandes do Sul.
  • Abaixo do esperado em suas regiões:
    • Centro-Oeste: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul;
    • Nordeste: Maranhão, Rio Grandes do Norte, Alagoas, Piáui, Paraíba, Sergipe;
    • Norte: Acre, Amapá, Roraima;
    • Sudeste: Espírito Santo;
    • Sul: Santa Catarina.

É possível observar ainda que no:

  • Centro-Oeste e Sul há menos variabilidade entre a produção de seguros das diferentes UFs. O desempenho de cada Estado está próximo daquele esperado da região, mostrando que existe certa conformidade no desempenho dos Estados. Nesses casos, a segmentação por Região pode ser útil para definição de estratégias, dado que o comportamento esperado nas UFs é similar.
  • Nordeste, Norte e Sudeste há maior variabilidade entre suas UFs. Dentro de uma mesma região há Unidades Federativas com resultados muito acima de outras da mesma Região. Para esses caso, usar a segmentação regional pode não fazer muito sentido, sendo mais recomendável levantar outros critérios tais quais densidade populacional, PIB da UF, etc.

Dentre as Regiões com maior variabilidade, a linha de regressão pode ser um indicativo da fronteira entre as UFs em maior ou menor estágio de penetração do mercado de seguros. Seria interessante aos gestores estratégicos observar se há demanda reprimida naquelas abaixo do esperado.

Comparando Regiões

O Gráfico 1 também nos permite comparar o desempenho das diferentes Regiões de forma agregada.

Um ranking regional é notável:

  • 1º: Sudeste
  • 2º: Sul
  • 3º: Centro-Oeste
  • 4º: Nordeste
  • 5º: Norte

Não é coincidência que este ranking coincida com o ranking do PIB de cada Região. Em outro momento exploraremos a correlação entre o ranking regional de seguros e variáveis como PIB, IDH e densidade populacional de cada local.

Mas e o impacto da inflação?

Um estudo mais rigoroso exige considerar o comportamento inflacionário dos seguros em cada Estado ou Região para se observar o comportamento dos prêmios diretos reais (e não nominais). Contudo, para efeitos de simplificação, estamos flexibilizando as premissas desta análise considerando que a inflação foi igual em todas as Unidades Federativas. Em outro momento pretendemos testar este ponto.

O que explica esses padrões?

Explicar os padrões identificados acima não é trivial. Abaixo elenco algumas hipóteses. Contudo, é necessário testá-las para inferirmos se e quanto cada uma delas influencia nos comportamentos acima.

  • PIB: É esperado que UFs com maior PIB tenham maior produção em seguros já que a concentração de patrimônio e investimento ali será maior. Em seguros, chamamos a participação da produção de seguros em relação ao PIB de penetração.
  • Setores de Atividade: As UFs que concentram investimentos em setores de atividade industriais e serviços financeiros tenderão a contratar seguros para riscos maiores e, portanto, prêmios maiores.
  • Densidade populacional: Para aqueles ramos de seguro voltados para pessoa física, em especia os seguros de pessoas, as regiões de maior densidade populacional evidentemente sairão na frente.
  • IDH: É esperado que locais com maior IDH apresentem maior consumo de seguros em geral, dado que o maior grau educacional tende a gerar comportamentos de maior planejamento financeiro dentre os quais está a gestão de riscos pessoais e empresariais; a maior expectativa de vida tende a mudar os padrões de consumo imediatistas para aqueles de planejamento de médio e longo prazo; e a maior renda per capita por estimular uma diversificação do consumo com maior densidade do consumo de seguros.

Em breve disponibilizaremos estudo testando essas hipóteses.

Sinistros

Todas as informações acima são referentes à produção. Para ver um quadrão geral dos sinistros por região, leia este outro post.

E você, percebe tudo isso?

Se você é profissional do setor de seguros, compartilhe com a gente suas impressões sobre o consumo de seguros em sua região. Os padrões identificados acima fazem sentido para você?

[1]: Extraídos do Sistema de Estatísicas da SUSEP (SES).